Comunicador falou a uma plateia composta por estudantes na manha desta quinta-feira em Carlos Barbosa
Falar sobre drogadição para uma plateia composta quase em sua totalidade por adolescentes pode ser uma tarefa difícil se as palavras forem escolhidas equivocadamente e se a atenção do público não for conquistada. Nada disso, porém, foi o que se viu na palestra “Você Escolhe o Seu Futuro”, ministrada pelo comunicador Manoel Soares e presenciada por cerca de 200 alunos das escolas São Roque e Elisa Tramontina. Encarando a manhã de chuva e frio, adolescentes e professores prestigiaram o evento promovido pela ACI Jovem no Clube União.
Durante a apresentação, a presidente da ACI Jovem, Bruna Foppa, enfatizou o esforço da equipe em trazer um palestrante de renome nacional e ressaltou o papel da associação, que iniciou suas atividades este ano: “Com essa palestra, iniciamos os trabalhos da ACI Jovem e reforçamos a nossa missão de ser referência em orientação e capacitação, buscando fortalecer o empreendedorismo na cidade”, pontuou. A iniciativa também incluiu a doação de alimentos não-perecíveis como ingresso para o evento, contemplando o papel social que a entidade pretende assumir.
Iniciando a palestra de maneira descontraída, Manoel Soares instigou a plateia a pensar desde o primeiro momento: “Nós não mudaremos. Eu hoje sou a mesma criança de onze anos que se vestia mal, falava pra caramba e era meio esquisita. Com a diferença que hoje se vestir mal é estilo, ser esquisito é exótico e bem, hoje sou pago para falar bastante”, brincou, fazendo alusão à sua profissão de repórter. De uma maneira envolvente e bem-humorada, explicou como o cérebro responde a vícios, e como eles podem ser positivos ou não. “Eu não vou dizer que droga é ruim, que droga mata. Deve fazer bem pra alguém, caso contrário, não haveria tanta gente usando. O que eu digo é que vocês precisam ter essa noção, precisam ter a consciência de que se manter limpo, são, é o melhor. Manter o cérebro de vocês trabalhando sozinho, sem precisar de nenhum agente químico externo é a melhor alternativa”, aconselhou.
Presidente regional da Central Única das Favelas (CUFA-RS), Manoel compartilhou suas experiências como repórter e as vivências de quem teve uma trajetória de vida marcada por preconceito racial, dificuldades financeiras e vivências no tráfico: “Quando vi um amigo meu morrer com seis tiros no rosto, pensei: ‘Não quero isso pra mim, não’. Preciso arranjar algo para fazer da minha vida”. O palestrante ainda fez questão de falar sobre uma realidade desconhecida pelos jovens de Carlos Barbosa. “Vocês estão em um lugar privilegiado. E é muito bom morar aqui, mas também muito perigoso”, constatou, referindo-se à facilidade com que as drogas conseguem penetrar em uma sociedade que pode não estar preparada para combater o tráfico.
Em espaço aberto para perguntas, Manoel falou sobre preconceito racial, machismo, homofobia. Também debateu acerca da maioridade penal, recentemente reduzida no Brasil, e deu sua visão do porquê estratégias que funcionariam no Rio Grande do Sul não teriam sucesso, por exemplo, no Nordeste. “O Brasil é um país muito jovem e extenso. É preciso analisar a realidade de cada lugar. E para mudar o país para algo melhor, o segredo está em não olhar para o próprio umbigo e ajudar uns aos outros”, finalizou.
ACI JOVEM
A iniciativa faz parte de uma série de trabalhos da ACI Jovem que têm como principal objetivo capacitar, orientar e desenvolver ações sociais e empresariais que incentivam o empreendedorismo nos jovens. A entidade promove também uma campanha do agasalho, que tem vigência até o dia 17. “A campanha do agasalho e alimento surgiu de ideias do grupo da ACI Jovem que, preocupados com as famílias e crianças da região, se mobilizaram. Em contato com os representantes da CUFA-RS, mencionamos a ideia de beneficiar as famílias do projeto para que tenham um inverno mais aquecido e feliz e, com o apoio deles, da ACI Carlos Barbosa e das empresas que se disponibilizaram como ponto de coleta, iniciamos a 1ª campanha do agasalho e alimento que prevê nos próximos anos ter mais edições para beneficiar cada vez mais pessoas”, explica Bruna Foppa.
Crédito fotos: Raquel Piegas/Conceitocom Brasil