Em palestra ministrada por Jenner Ferreira, cenário atual do setor elétrico no Brasil foi discutido
Uma atenta plateia de cerca de 30 pessoas acompanhou, na noite desta segunda-feira, 23, a palestra “Energia Elétrica no Brasil: cenário atual e perspectivas futuras”, ministrada pelo coordenador do Instituto Brasileiro de Economia e Finanças (Ibecon), Jenner Ferreira, no auditório da Associação do Comércio, Indústria e Serviços de Carlos Barbosa, a ACI. Tendo como mote principal a discussão dos excessivos aumentos na conta de energia elétrica já em vigor – e os ainda previstos para 2015, o evento contou também com a presença de membros do Conselho de Consumidores da RGE e seu presidente, João Picoli.
A situação é alarmante, e dados comprovam que poderia ser evitada. Essa é basicamente a conclusão que os presentes chegaram após a fala de Jenner Ferreira, que apresentou números que reforçaram o que o consumidor já sente no bolso: a energia elétrica é um bem que está ficando mais caro à medida que se torna ainda mais escasso. “Em 2012, quando o nível dos reservatórios brasileiros caiu de 91% para 79%, tivemos um indicativo forte de que algo estava errado: já estávamos consumindo mais do que gerando. Em 2014, o nível de reservatórios de água no Brasil caiu para 65% de sua capacidade total”, demonstrou Ferreira, alertando para o consequente uso de recursos termelétricos para suprir a demanda do país, uma fonte de energia ainda mais custosa. “A função da energia térmica é modular a carga quando o consumo cresce. Ela entra até o sistema aliviar e é desligada, mas não é isso que está acontecendo. Em agosto de 2014 atingiu-se um pico de 26% de uso. Isso é energia cara, e o único agente que paga é o consumidor”, pontuou o palestrante.
Ainda segundo Jenner Ferreira, a energia termelétrica já começou a ser usada com mais intensidade em 2013, ano no qual o consumidor não sentiu tanto na conta de luz justamente pela existência do aporte do Tesouro Nacional, que custeou e amenizou os gastos repassados nas tarifas. Este ano, com a retirada do aporte, calculado em cerca de R$ 9 bi, a situação muda de figura: “A conta não vai diminuir. Ela pode estabilizar, mas diminuir não vai. O consumidor tem uma ‘dívida’ a ser paga”, revelou o palestrante.
PARTICIPAÇÃO POPULAR
Possíveis alternativas que teriam evitado o aumento tarifário que, segundo Jenner, deverá ser de 50% a 60% em relação ao ano passado, também foram apresentadas. Dentre elas, o destaque ficou para a participação popular. O evento, que contou com a presença de membros do conselho de consumidores da RGE e de João Picoli, presidente do Conselho, foi guiado pela importância de fomentação de discussões quanto à realidade do setor e os impactos que ela vem causando na população. “Chegará um momento em que os aumentos serão inviáveis à realidade econômica brasileira. Empresas poderão fechar, e economizar energia elétrica será cada vez mais difícil, mesmo porque os eletrodomésticos e lâmpadas já são fabricados de maneira a impactar da maneira menos negativa possível”, finalizou Jenner Ferreira.
Despertando interesse da plateia, um espaço para colocações e questionamentos foi aberto, momento no qual o presidente da ACI, Fabiano Ferrari, manifestou-se a favor de engajar um número de empresários barbosenses para discussões mais ativas em relação à realidade do setor elétrico brasileiro. “Nós da ACI nos comprometemos em realizar um chamado para abordar tratativas junto à RGE”, pontuou.
Fotos: Raquel Piegas/Conceitocom