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Especialista alerta: energia elétrica deve continuar a aumentar 24 de fevereiro de 2015
Em palestra ministrada por Jenner Ferreira, cenário atual do setor elétrico no Brasil foi discutido Uma atenta plateia de cerca de 30 pessoas acompanhou, na noite desta segunda-feira, 23, a palestra “Energia Elétrica no Brasil: cenário atual e perspectivas futuras”, ministrada pelo coordenador do Instituto Brasileiro de Economia e Finanças (Ibecon), Jenner Ferreira, no auditório da Associação do Comércio, Indústria e Serviços de Carlos Barbosa, a ACI. Tendo como mote principal a discussão dos excessivos aumentos na conta de energia elétrica já em vigor – e os ainda previstos para 2015, o evento contou também com a presença de membros do Conselho de Consumidores da RGE e seu presidente, João Picoli. A situação é alarmante, e dados comprovam que poderia ser evitada. Essa é basicamente a conclusão que os presentes chegaram após a fala de Jenner Ferreira, que apresentou números que reforçaram o que o consumidor já sente no bolso: a energia elétrica é um bem que está ficando mais caro à medida que se torna ainda mais escasso. “Em 2012, quando o nível dos reservatórios brasileiros caiu de 91% para 79%, tivemos um indicativo forte de que algo estava errado: já estávamos consumindo mais do que gerando. Em 2014, o nível de reservatórios de água no Brasil caiu para 65% de sua capacidade total”, demonstrou Ferreira, alertando para o consequente uso de recursos termelétricos para suprir a demanda do país, uma fonte de energia ainda mais custosa. “A função da energia térmica é modular a carga quando o consumo cresce. Ela entra até o sistema aliviar e é desligada, mas não é isso que está acontecendo. Em agosto de 2014 atingiu-se um pico de 26% de uso. Isso é energia cara, e o único agente que paga é o consumidor”, pontuou o palestrante. Ainda segundo Jenner Ferreira, a energia termelétrica já começou a ser usada com mais intensidade em 2013, ano no qual o consumidor não sentiu tanto na conta de luz justamente pela existência do aporte do Tesouro Nacional, que custeou e amenizou os gastos repassados nas tarifas. Este ano, com a retirada do aporte, calculado em cerca de R$ 9 bi, a situação muda de figura: “A conta não vai diminuir. Ela pode estabilizar, mas diminuir não vai. O consumidor tem uma ‘dívida’ a ser paga”, revelou o palestrante. PARTICIPAÇÃO POPULAR Possíveis alternativas que teriam evitado o aumento tarifário que, segundo Jenner, deverá ser de 50% a 60% em relação ao ano passado, também foram apresentadas. Dentre elas, o destaque ficou para a participação popular. O evento, que contou com a presença de membros do conselho de consumidores da RGE e de João Picoli, presidente do Conselho, foi guiado pela importância de fomentação de discussões quanto à realidade do setor e os impactos que ela vem causando na população. “Chegará um momento em que os aumentos serão inviáveis à realidade econômica brasileira. Empresas poderão fechar, e economizar energia elétrica será cada vez mais difícil, mesmo porque os eletrodomésticos e lâmpadas já são fabricados de maneira a impactar da maneira menos negativa possível”, finalizou Jenner Ferreira. Despertando interesse da plateia, um espaço para colocações e questionamentos foi aberto, momento no qual o presidente da ACI, Fabiano Ferrari, manifestou-se a favor de engajar um número de empresários barbosenses para discussões mais ativas em relação à realidade do setor elétrico brasileiro. “Nós da ACI nos comprometemos em realizar um chamado para abordar tratativas junto à RGE”, pontuou.   Fotos: Raquel Piegas/Conceitocom
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